
“Oras Bolas”
Quando o mundo acabou, eu estava ainda colocando uma das meias no pé. Estava eu me preparando para jogar futebol. Era meu exercício habitual de pelo menos trinta anos. Como admitir que algo mais importante que jogar, pudesse acontecer naquele instante. Sem mesmo poder antecipá-lo. Com tamanho abrutamento, eu impedido desse evento esportivo que considerava mais importante até então em minha vida. Comparado apenas com o nascimento dos meus filhos. Tinha certeza de não trocá-los por nenhum ou quase nenhum acontecimento mais importante. Sobre este que é um dos meus esportes favoritos. No futebol não há mistérios, considerado de custo baixíssimo envolve bastante esforço físico. Enquanto a mente submissa aos pensamentos mergulha num abismo junto com o crânio. O corpo é arremessado constantemente ao ar livre e inevitavelmente choques acontecem. Imaginem um programa televisivo pré-histórico, pré-estabelecido, pré-dileto, sem muito sentido pra quem não pratica. Entenda: Um bando de machos na maioria peludos sentem prazer em fazer o outro bando de bobo até que consiga roubar-lhe a atenção chutando a redonda pra dentro de um retângulo vazado sem antes passar pelo último jogador, que se chama goleiro. Nem que precise usar do porrete pra que isso aconteça. O palco ou campo de jogo é onde tudo acontece, os tais machos usam de bastante habilidade (dribles) pra cima do outro bando. Eu estava mesmo a ponto de discutir se realmente acabar o mundo era o melhor para acontecer afinal não estavam levando em consideração a minha felicidade humana nessa terra. Sabia que havia sempre aqueles que torciam contra e outros a favor. Mas voltando um pouco no tempo. Quando ainda nas incubadoras celestiais, nos ensinam a ter muito amor e abraçar tudo o que nos trás felicidades. Traduzindo isso quer dizer aproveitar o máximo antes que o juízo final acabe com o jogo.
Então a voz celestial se fez ouvir! – “Você irá nascer naquele planeta redondinho e azulzinho, seu nome é Planeta Terra” – Viu Terra de campinho e redondinho de bola, tudo haver. – Irei nascer neste planeta pra correr atrás da redonda? Pensei. – Espere e verá! Lendo ainda meus pensamentos, a voz grave vindo do altíssimo teve acesso novamente aos meus ouvidos. – “Serão apenas nove meses” De ansiedade conclui... ...Quando ainda tentando me desvencilhar na área adversária congestionada, meus marcadores não permitiam que fizesse a jogada, senão a única possível.
Lembro... O estádio fervilhava. Todo iluminado e coberto, más muito pequeno, quase um cubículo, estavam todos me pressionando. Até minha mãe! Que amparada por uma jovem de chapéu branco, enxugava o suor da sua testa usando um pano, provavelmente a pipoqueira, e mamãe de tão nervosa mordia ferozmente a bandeira aberta esticada sobre o corpo. “... O tempo passa...” Torcida agitada dedos cruzados, no fundo escutava o bumbo ecoando batidas fortes vindo lá das arquibancadas. Enrolado num cordão escorregadio passo driblando por tudo e por todos, antes de tomar uma tesoura do zagueiro que tentou me impedir acertando o cordão de segurança, então caindo só me restou mirar e chutar de bico, um foguete direto no ângulo triangulo obtuso. Não teria mais outra chance. Campo molhado, água no rosto sem poder enxergar um palmo a frente, viajei corpo adentro, entrei com bola e tudo de cabeça na rede pra me certificar do intento. O goleiro já me esperava todo vestido de branco, no seu rápido reflexo senti que me agarrou pelas pernas e me levantou, mais já era tarde, a bola já tinha ido descansar no fundo da rede. Era o gol da vida do maior artilheiro, gritei forte com os punhos cerrados pra que todos ouvissem, Goooolll!!! Ecoando até pra fora do estádio. Lá no saguão, área da imprensa, um grupo de fanáticos torcedores já me esperavam, fizeram tremenda farra, que festa indescritível. Fui carregado de colo em colo enrolado na bandeira do clube. Aquelas luzes vindas do alto em cima, mal podia enxergar. Lembro que me enfiaram o dedão goela abaixo e tiraram água misturada com grama do campo de minha boca. Quando fui deitar para poder descansar, senti o quarto com cama aclimatizada e assim poderia entender o que tinha me acontecido. Antes de fechar meus olhos, um maluco veio lá sabe Deus de onde e desatento meteu minha medalha no meu pulso. Quando acordei olhava tudo ainda muito assustado e tentava relembrar.... Eu gostei mesmo foi do uniforme do clube. Novo, sequinho, quentinho e macio, há isso eu lembro. A festa foi tão porreta, que esqueceram minhas mãos presas na própria roupa, maluquice, nem me mexer podia. Depois vieram com o troféu. - Que baita troféu! Deram-me de presente duas bolas cheias e grandonas, uma delas de reserva ainda na embalagem, que eu cai rapidamente de boca no bico. - “È um lindo menino!” isso eu escutei enquanto sugava, que delicia, que felicidade!... - “Vai ser mais um jogador de bola...” Voz da minha mãe, treinadora claro e dona do passe. Já era minha filha!...Respondi. O que pode ser mais importante na vida de alguém se não for pelo prazer de gostar do que faz. E isso se chama felicidade. Trocar o melhor pelo duvidoso, isso não era uma boa troca, afinal um evento estava para acontecer, o outro tinha acabado com meu mundo.. O mundo acabou! O Que fazer?... A quem implorar?... Sabe quando o garçom vem recolhendo tudo de cima da mesa e você perdido em divagações, estático olhando pensando no mundo segurando o garfo espetado na azeitona da pizza. Foi exatamente o que aconteceu, o mais incrível é que dessa vez ele levou também o garfo. È o mundo acabou! Tudo escureceu e silenciou. Se almenos tivesse o poder de antecipar alguns acontecimentos, não teria nem se quer colocado as meias nos pés, pois nesse dia fraturei o tornozelo do pé esquerdo num buraco desses campinhos dessa terra azulzinha. Foram nove meses de molho, pra mim uma vida.
Mais deixa eu terminar...
“Quem disse que eu parei”
...Ei passa bola!
Gooolll!!!
O maluco do narrador gritou – De bicoVale?
....esquece!
www.http://www.reinaldo_rnp@hotmail.com.br
Todos os@direitos reservados
Oriente, Editora ltda.
Quando o mundo acabou, eu estava ainda colocando uma das meias no pé. Estava eu me preparando para jogar futebol. Era meu exercício habitual de pelo menos trinta anos. Como admitir que algo mais importante que jogar, pudesse acontecer naquele instante. Sem mesmo poder antecipá-lo. Com tamanho abrutamento, eu impedido desse evento esportivo que considerava mais importante até então em minha vida. Comparado apenas com o nascimento dos meus filhos. Tinha certeza de não trocá-los por nenhum ou quase nenhum acontecimento mais importante. Sobre este que é um dos meus esportes favoritos. No futebol não há mistérios, considerado de custo baixíssimo envolve bastante esforço físico. Enquanto a mente submissa aos pensamentos mergulha num abismo junto com o crânio. O corpo é arremessado constantemente ao ar livre e inevitavelmente choques acontecem. Imaginem um programa televisivo pré-histórico, pré-estabelecido, pré-dileto, sem muito sentido pra quem não pratica. Entenda: Um bando de machos na maioria peludos sentem prazer em fazer o outro bando de bobo até que consiga roubar-lhe a atenção chutando a redonda pra dentro de um retângulo vazado sem antes passar pelo último jogador, que se chama goleiro. Nem que precise usar do porrete pra que isso aconteça. O palco ou campo de jogo é onde tudo acontece, os tais machos usam de bastante habilidade (dribles) pra cima do outro bando. Eu estava mesmo a ponto de discutir se realmente acabar o mundo era o melhor para acontecer afinal não estavam levando em consideração a minha felicidade humana nessa terra. Sabia que havia sempre aqueles que torciam contra e outros a favor. Mas voltando um pouco no tempo. Quando ainda nas incubadoras celestiais, nos ensinam a ter muito amor e abraçar tudo o que nos trás felicidades. Traduzindo isso quer dizer aproveitar o máximo antes que o juízo final acabe com o jogo.
Então a voz celestial se fez ouvir! – “Você irá nascer naquele planeta redondinho e azulzinho, seu nome é Planeta Terra” – Viu Terra de campinho e redondinho de bola, tudo haver. – Irei nascer neste planeta pra correr atrás da redonda? Pensei. – Espere e verá! Lendo ainda meus pensamentos, a voz grave vindo do altíssimo teve acesso novamente aos meus ouvidos. – “Serão apenas nove meses” De ansiedade conclui... ...Quando ainda tentando me desvencilhar na área adversária congestionada, meus marcadores não permitiam que fizesse a jogada, senão a única possível.
Lembro... O estádio fervilhava. Todo iluminado e coberto, más muito pequeno, quase um cubículo, estavam todos me pressionando. Até minha mãe! Que amparada por uma jovem de chapéu branco, enxugava o suor da sua testa usando um pano, provavelmente a pipoqueira, e mamãe de tão nervosa mordia ferozmente a bandeira aberta esticada sobre o corpo. “... O tempo passa...” Torcida agitada dedos cruzados, no fundo escutava o bumbo ecoando batidas fortes vindo lá das arquibancadas. Enrolado num cordão escorregadio passo driblando por tudo e por todos, antes de tomar uma tesoura do zagueiro que tentou me impedir acertando o cordão de segurança, então caindo só me restou mirar e chutar de bico, um foguete direto no ângulo triangulo obtuso. Não teria mais outra chance. Campo molhado, água no rosto sem poder enxergar um palmo a frente, viajei corpo adentro, entrei com bola e tudo de cabeça na rede pra me certificar do intento. O goleiro já me esperava todo vestido de branco, no seu rápido reflexo senti que me agarrou pelas pernas e me levantou, mais já era tarde, a bola já tinha ido descansar no fundo da rede. Era o gol da vida do maior artilheiro, gritei forte com os punhos cerrados pra que todos ouvissem, Goooolll!!! Ecoando até pra fora do estádio. Lá no saguão, área da imprensa, um grupo de fanáticos torcedores já me esperavam, fizeram tremenda farra, que festa indescritível. Fui carregado de colo em colo enrolado na bandeira do clube. Aquelas luzes vindas do alto em cima, mal podia enxergar. Lembro que me enfiaram o dedão goela abaixo e tiraram água misturada com grama do campo de minha boca. Quando fui deitar para poder descansar, senti o quarto com cama aclimatizada e assim poderia entender o que tinha me acontecido. Antes de fechar meus olhos, um maluco veio lá sabe Deus de onde e desatento meteu minha medalha no meu pulso. Quando acordei olhava tudo ainda muito assustado e tentava relembrar.... Eu gostei mesmo foi do uniforme do clube. Novo, sequinho, quentinho e macio, há isso eu lembro. A festa foi tão porreta, que esqueceram minhas mãos presas na própria roupa, maluquice, nem me mexer podia. Depois vieram com o troféu. - Que baita troféu! Deram-me de presente duas bolas cheias e grandonas, uma delas de reserva ainda na embalagem, que eu cai rapidamente de boca no bico. - “È um lindo menino!” isso eu escutei enquanto sugava, que delicia, que felicidade!... - “Vai ser mais um jogador de bola...” Voz da minha mãe, treinadora claro e dona do passe. Já era minha filha!...Respondi. O que pode ser mais importante na vida de alguém se não for pelo prazer de gostar do que faz. E isso se chama felicidade. Trocar o melhor pelo duvidoso, isso não era uma boa troca, afinal um evento estava para acontecer, o outro tinha acabado com meu mundo.. O mundo acabou! O Que fazer?... A quem implorar?... Sabe quando o garçom vem recolhendo tudo de cima da mesa e você perdido em divagações, estático olhando pensando no mundo segurando o garfo espetado na azeitona da pizza. Foi exatamente o que aconteceu, o mais incrível é que dessa vez ele levou também o garfo. È o mundo acabou! Tudo escureceu e silenciou. Se almenos tivesse o poder de antecipar alguns acontecimentos, não teria nem se quer colocado as meias nos pés, pois nesse dia fraturei o tornozelo do pé esquerdo num buraco desses campinhos dessa terra azulzinha. Foram nove meses de molho, pra mim uma vida.
Mais deixa eu terminar...
“Quem disse que eu parei”
...Ei passa bola!
Gooolll!!!
O maluco do narrador gritou – De bicoVale?
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Um comentário:
esse particularmente eu adorei !
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