quinta-feira, junho 19, 2008


O dia em que a casa... Caiu...
Nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, mora muita gente e muita gente bem de vida. As casas são enormes, mansões de fazer qualquer um sonhar em ter algo parecido. A mansão dos Humbertos fica numa das quadras na região, possui muros altos por toda volta e toma o espaço de um quarteirão inteirinho. Quadra de tênis, squash, sauna, piscina, mine academia. “Celildes”(28), “Celi” para os mais próximos, trabalha há quase um ano para um casal. Vinda de Recife direto pro Jardins bairro paulistano, indicação de uma amiga. Conhece ainda apenas o local onde trabalha. È jovem e muito divertida ri até quando se olha no espelho. Celi precisa dormir no serviço. Acorda cedo, o café da manhã é sua primeira tarefa. Serve religiosamente as 6:00 horas. A mesa posta sem esquecer o chá de hortelã, ora camomila, dependendo do recado e do gosto da patroa, e sempre sem açúcar. As 7:00 segura a bandeja de inox, sobre ela as chaves da Hilux novinha. Carro do casal que pontualmente recebem a chave e rapidamente saem da garagem. Ela cumprimenta os patrões mais nunca sabe se estão vendo, pois o carro é todo preto inclusive os vidros. Alguns lembretes ficaram sobre a mesa na cozinha. Celi agora esta só para a faxina diária largando dessa torturante rotina bem tarde da noite. Agora só dentro da casa, pois lá fora está Denilson (30), responsável pela segurança da casa. Denilson repete a mesma cena todas manhãs, da guarita aciona o sistema eletrônico que abre o portão e fecha, e de relance da uma piscadela pra Celi que faz pouco da investida do rapaz.
Celi na cozinha apanha todos os recados e brinca de ser patroa. Põe a touca na vassoura amarra o avental no cabo e sai gesticulando pra quilo era agora a própria Celi. Tenta imitar a matrona, mulher sem paciência e mandona:
- “Celi, limpe os cristais!... Celi troque as roupas de cama!... Celi limpe a jacuzi!... Celi descongele o camarão!... Celi anote os recados!... Celi tire o pó das estantes e móveis com muito cuidado!” Da janela Denílson observa a criada fazendo micagens, teatro. Atentado, vai até a porta, força a maçaneta, é ele agora que se passa de patrão inventando a voz grave do seu Humberto:
- “Celi...Abre essa a porta, esqueci umas coisas rápido!”.
- Celi quase enfarta, escorrega no piso da cozinha e desfaz a graça com uma ligeireza incrível.
Na janela o rapaz observa tudo e ri de escorrer lágrimas.
- Já vai seu Humberto!! A chave,... Achei,... Pronto.
Abre a porta quando ainda tentava ajeitar na pressa os cabelos todinhos pra dentro da touca.
- Ochê! Denilson endoido é! O que você tá fazendo ai parado?...E cadê seu Hurberto?
- Você demorou ele foi simbora!
- A muleque! Qué me mata de susto!
- Até que você leva jeito de patroa! E eu de seu homem e patrãozinho num acha!
- Você sai daqui que eu tenho muito que fazê... Demônio!
- Deixa eu entrar um bucadinho... Celi?
- Ochê! Não! Se tá brincando?... Qué me arruma confusão é.
- Então não vou guardar segredo de tudo que eu vi! Cum esses olhinhos abertinhos!
- Ô Denilson, você não viu nada não e vai daqui Satanás!
- Celi ocê tá indo muito em igreja, é demônio é satanás, ochê...
Celi nervosa empurra a porta pra fechar mais Denilson não deixa travando a porta com as pontas do sapato.
- Então dá um celinho!
- Dô na vassoura más em tu é que num do não!
- Então um cafézinho!... Só um pretinho, quentinho...docinho.. Celizinha?
- Num vem melando que eu não sou doce?
- Só unzinho, eu prometo que eu deixo você trabalhar...
- Tá bom! Espera ai na porta que vou pega, é um gole e chispa daqui! Capeta assanhado!
Denilson aproveita o descuido de Celi, entra e se esconde no interior do armário grande da saleta. Puxa a portinhola e some sem deixar pista.
- Denilson toma esse café e suma daqui... Eita,... ué cadê esse home do cão? Vai sabê?... Eu hem!
Celi então trava a porta nas chaves empurrando só com um dedinho. Vai caminhando num trejeito manhoso, nariz empinado pra cozinha enquanto rebola fazendo ainda o tipo Patroa ricaça dar conta da sua louça e das tarefas que tomam todo seu dia.
O segurança sai do armário, vai pra cozinha e olha de uma distância segura Celi lavando a louça do café. Nas pontas do sapato sorrateiramente se aproxima e agarra a moça pelas costas prendendo as mãos que passam pela sua cintura:
- Celi minha cabra safada!... Diz que sou eu o amor da sua vida diz!... Sou todo seu!... Só tem nóis dois nesse casarão de perder de vista minha neguinha sarada!
- Ochê!... Que é isso...Meu “Deus” Me solta SOCORRO!!!
- Ochê!... È o Denilson Celi!... È só um dengo!...Num precisa buli não, num tá vendo!
- Há seu cachorro maldito é você, vou quebrar essa louça todinha na sua cabeça! Só me faltava essa!
Nervosa, tremula dos pés a cabeça Celi corre atrás de Denilson que foge a procura de proteção envolta da mesa de centro.
- Agora tu não é macho né Denilson. Se eu por as mãos em você eu juro que eu corto suas coisas!
- O Celi não fale isso que eu tremo dos pés a cabeça e o doutor lá na Bahia me falô um dia que isso é o coração! Sera? Eu gam...ooo todinho só de pensa, num tá vendo... Enquanto desse as mãos alisando o corpo da cabeça aos pés.
Quando Denilson ainda fazia sua cena, Celi agarrou um facão infincado na tabua de tempero da pia e saiu atrás do homem, que correu gritando pro interior da casa.
- Celi na sala não!? Tem coisa que quebra e é caro visse!... Tá vendo não!... Cuidado olha o vaso chinês da madame?... È dinastia ming...
(Celi)
- Vou te mostrar a Ming! Agorinha!
- Eita! Já têm até nome amorzinho? Que dilícia...
- ...Eu vou quebrar é sua cabeça seu calango safado! Você mexeu comigo, não se avexe não.
Denilson já com o suor descendo da testa, dá um pinote pula o puf de couro no meio do caminho enquanto segura o quepe e ergue a calça tudo com uma só mão pois teimavam em cair e foge em direção do extenso corredor que dá nos quartos.
Em volta da cama...
- A mulher você pirou é?...Viche! Aqui não!...Ou melhor, aqui sim, por que não?... É o quarto deles, e agora pode sê só nosso...tá vendo não! ... Larga essa faca e deita só um pouquinho aqui nesse ninho de amor com seu calanguinho, já tá até desarrumada e amaciada pra nóis vem!... Ochê ainda tá até quente!...É luxo demais!
- Vai fervê quando eu botar essa mão cheinha de unha nas tuas costas! “O diabo de homem!” Você qué é mesmo morrê? Tô vendo é tudo!
- Eu ainda não vi nadica denada!!! É muita falação pro meu gosto Celizinha...E que demora sem sentido, num acha não?
- Mais será possível que você não se dobra?
- Se quisè eu me dobro em dois, três até quatro, é do seu gosto e do freguês! Você manda hoje...Como se diz,... é a moda da casa!
Celi, cega de ódio atira o facão afiado que passa rasgando o véu do mosquiteiro, que desce do alto da cama e tira uma fina da orelha de Denilson cravando na moldura de madeira do espelho.
- Ochê! É sério mesmo! Pego é fogo a bagaça!!!
(Celi)
- Num precisa nem evoca “Padre Cícero” pois você loguinho vai tá ao vivo com ele, não se avexe não!
Celi pula sobre a cama e Denilson vai pra debaixo e logo sai rastejando do outro lado fugindo em direção ao banheiro ao lado. Entra passa a chave na porta, puxa a cortina de plástico e se deita imóvel dentro da jacuzi. Pela entrada da suíte Celi abre a porta blindex devargazinho entra e trava por dentro.
Vendo seu algoz fingindo morto vivo esparramado, prepara-lhe uma surpresa. Abre o jato na posição inverno máximo, que jorra de tudo que é lado água quente.
- Ochê! Qué é isso meu “Deus” SOCORRO!!!
- Ochê! È a Celi sua neguinha Denilson!!! Não se lembra mais não cabra safado!
Se debatendo todo tenta sair feito peixe no raso. Da banheira Denílson alcança Celi que é puxada pelas tiras do avental pra dentro.... Splash!!
- Enlouqueceu!...Tire suas mãos de mim!
- Eu quero é sair daqui! Tá pelando é tudo. Ta arrancando é o couro! Desliga essa coisa mulhééé!
Deitados e enroscados na jacuzi que transborda, ora um sobre o outro tentam escapar da escorregadia porcelana.
A água quente fez o vapor subir que rapidamente tomou conta da suíte.
Depois de muito custo conseguiram se livrar da luta travada na banheira. As toalhas substituíram seus uniformes encharcados. Enrolados até a cabeça abriram a porta ralhando um ao outro e saíram levando junto todo aquele vapor feito entrada no céu. Pra surpresa Agora estavam de fato enrolados até o talo.
Patrão!!!!
Celi mais Denilson, gritam assustados, parecendo os dois “ gatos escaldados”.
(Denilson)
- Eu poço explicar seu Humberto...
Humberto cara feia e mãos na cintura responde a Denilson:
- Ochênte! Num carece não! Sabe!...
(Denilson)
- Tá vendo Celizinha como o Sr. Humberto é bão pra nóis!...num falei...

(Humberto)
- RUA!!!!

Era demais pra Celi, que não se agüenta mais nas pernas virando os olhinhos pra cima e tombando já no jeito pra desmaiar... Denilson tenta segurá-la mais escorrega dos seus braços, acaba ficando só com a toalha da moça nas mãos...

FIM



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segunda-feira, junho 16, 2008


“Oras Bolas”

Quando o mundo acabou, eu estava ainda colocando uma das meias no pé. Estava eu me preparando para jogar futebol. Era meu exercício habitual de pelo menos trinta anos. Como admitir que algo mais importante que jogar, pudesse acontecer naquele instante. Sem mesmo poder antecipá-lo. Com tamanho abrutamento, eu impedido desse evento esportivo que considerava mais importante até então em minha vida. Comparado apenas com o nascimento dos meus filhos. Tinha certeza de não trocá-los por nenhum ou quase nenhum acontecimento mais importante. Sobre este que é um dos meus esportes favoritos. No futebol não há mistérios, considerado de custo baixíssimo envolve bastante esforço físico. Enquanto a mente submissa aos pensamentos mergulha num abismo junto com o crânio. O corpo é arremessado constantemente ao ar livre e inevitavelmente choques acontecem. Imaginem um programa televisivo pré-histórico, pré-estabelecido, pré-dileto, sem muito sentido pra quem não pratica. Entenda: Um bando de machos na maioria peludos sentem prazer em fazer o outro bando de bobo até que consiga roubar-lhe a atenção chutando a redonda pra dentro de um retângulo vazado sem antes passar pelo último jogador, que se chama goleiro. Nem que precise usar do porrete pra que isso aconteça. O palco ou campo de jogo é onde tudo acontece, os tais machos usam de bastante habilidade (dribles) pra cima do outro bando. Eu estava mesmo a ponto de discutir se realmente acabar o mundo era o melhor para acontecer afinal não estavam levando em consideração a minha felicidade humana nessa terra. Sabia que havia sempre aqueles que torciam contra e outros a favor. Mas voltando um pouco no tempo. Quando ainda nas incubadoras celestiais, nos ensinam a ter muito amor e abraçar tudo o que nos trás felicidades. Traduzindo isso quer dizer aproveitar o máximo antes que o juízo final acabe com o jogo.
Então a voz celestial se fez ouvir! – “Você irá nascer naquele planeta redondinho e azulzinho, seu nome é Planeta Terra” – Viu Terra de campinho e redondinho de bola, tudo haver. – Irei nascer neste planeta pra correr atrás da redonda? Pensei. – Espere e verá! Lendo ainda meus pensamentos, a voz grave vindo do altíssimo teve acesso novamente aos meus ouvidos. – “Serão apenas nove meses” De ansiedade conclui... ...Quando ainda tentando me desvencilhar na área adversária congestionada, meus marcadores não permitiam que fizesse a jogada, senão a única possível.
Lembro... O estádio fervilhava. Todo iluminado e coberto, más muito pequeno, quase um cubículo, estavam todos me pressionando. Até minha mãe! Que amparada por uma jovem de chapéu branco, enxugava o suor da sua testa usando um pano, provavelmente a pipoqueira, e mamãe de tão nervosa mordia ferozmente a bandeira aberta esticada sobre o corpo. “... O tempo passa...” Torcida agitada dedos cruzados, no fundo escutava o bumbo ecoando batidas fortes vindo lá das arquibancadas. Enrolado num cordão escorregadio passo driblando por tudo e por todos, antes de tomar uma tesoura do zagueiro que tentou me impedir acertando o cordão de segurança, então caindo só me restou mirar e chutar de bico, um foguete direto no ângulo triangulo obtuso. Não teria mais outra chance. Campo molhado, água no rosto sem poder enxergar um palmo a frente, viajei corpo adentro, entrei com bola e tudo de cabeça na rede pra me certificar do intento. O goleiro já me esperava todo vestido de branco, no seu rápido reflexo senti que me agarrou pelas pernas e me levantou, mais já era tarde, a bola já tinha ido descansar no fundo da rede. Era o gol da vida do maior artilheiro, gritei forte com os punhos cerrados pra que todos ouvissem, Goooolll!!! Ecoando até pra fora do estádio. Lá no saguão, área da imprensa, um grupo de fanáticos torcedores já me esperavam, fizeram tremenda farra, que festa indescritível. Fui carregado de colo em colo enrolado na bandeira do clube. Aquelas luzes vindas do alto em cima, mal podia enxergar. Lembro que me enfiaram o dedão goela abaixo e tiraram água misturada com grama do campo de minha boca. Quando fui deitar para poder descansar, senti o quarto com cama aclimatizada e assim poderia entender o que tinha me acontecido. Antes de fechar meus olhos, um maluco veio lá sabe Deus de onde e desatento meteu minha medalha no meu pulso. Quando acordei olhava tudo ainda muito assustado e tentava relembrar.... Eu gostei mesmo foi do uniforme do clube. Novo, sequinho, quentinho e macio, há isso eu lembro. A festa foi tão porreta, que esqueceram minhas mãos presas na própria roupa, maluquice, nem me mexer podia. Depois vieram com o troféu. - Que baita troféu! Deram-me de presente duas bolas cheias e grandonas, uma delas de reserva ainda na embalagem, que eu cai rapidamente de boca no bico. - “È um lindo menino!” isso eu escutei enquanto sugava, que delicia, que felicidade!... - “Vai ser mais um jogador de bola...” Voz da minha mãe, treinadora claro e dona do passe. Já era minha filha!...Respondi. O que pode ser mais importante na vida de alguém se não for pelo prazer de gostar do que faz. E isso se chama felicidade. Trocar o melhor pelo duvidoso, isso não era uma boa troca, afinal um evento estava para acontecer, o outro tinha acabado com meu mundo.. O mundo acabou! O Que fazer?... A quem implorar?... Sabe quando o garçom vem recolhendo tudo de cima da mesa e você perdido em divagações, estático olhando pensando no mundo segurando o garfo espetado na azeitona da pizza. Foi exatamente o que aconteceu, o mais incrível é que dessa vez ele levou também o garfo. È o mundo acabou! Tudo escureceu e silenciou. Se almenos tivesse o poder de antecipar alguns acontecimentos, não teria nem se quer colocado as meias nos pés, pois nesse dia fraturei o tornozelo do pé esquerdo num buraco desses campinhos dessa terra azulzinha. Foram nove meses de molho, pra mim uma vida.
Mais deixa eu terminar...
“Quem disse que eu parei”
...Ei passa bola!
Gooolll!!!
O maluco do narrador gritou – De bicoVale?
....esquece!



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sábado, março 01, 2008



Só pode ser Milagre!






Todos os anos comemora-se a festa religiosa em homenagem à imagem da Purificação, que se realiza na segunda semana de janeiro. Com muita antecedência a cidade se prepara. A festa acontece a mais de cento e cinqüenta anos.Conta-se na cidade que a estátua foi encontrada encravada em uma rocha por mineiros que trabalhavam numa pedreira. Ao dinamitarem a pedreira a poeira abaixou e a estátua surgiu em pé, intacta aos pés dos trabalhadores. A partir dessa explosão, dessa descoberta e desse milagre, a notícia se espalhou como raio em dia de tempestade.
Tão logo ...A romaria.
Caravanas seguiram para o local da aparição, milhares de pessoas vieram dos mais diferentes lugares e das mais longínquas cidades. Três dias depois da aparição o percurso realizado pelos trabalhadores mineiros, era batizado com água purificada por um religioso feito as pressas. Romeiros abriram o caminho para a santa peregrinação. A Cidade. Foi construída por trabalhadores que ficavam muitos dias no local da extração e não podiam retornar as suas cidades. Existia no local apenas a pedreira e uma pequena capela. Com o crescimento econômico em torno da pedreira, o local ganhou força e rapidamente o comércio e a expansão populacional transformou o pequeno e desconhecido vilarejo em uma cidade. A princípio conhecida por “Pedreira”. Com a aparição da imagem a Prefeitura de Pedreira determinou a mudança do nome para “Purificação”, isso na década final de1850.
Estamos no ano do seu Centésimo qüinquagésimo segundo ano da aparição e a movimentação é grande.
2002.
Atualmente moram cerca de 15, mil pessoas, entre netos, tataranetos dos fundadores. A cidade vive da mão-de-obra agrícola e de algumas pequenas industrias.
O Padre Bento que congrega na igreja há nove anos festeja no mesmo mês seu décimo ano á frente da igreja. Carismático e continuista aos preceitos religiosos da paróquia recebe sempre com muita alegria os festejos que homenageiam Purificação.
Seus maiores desafetos são com o Prefeito, Dr. Caldésio, ou melhor, como diz o Padre “Coronel Caldésio”, doutor é por parte da sua ignorância, quase um jumento no trato com os assuntos de importância administrativa e religiosa da cidade. Padre Bento nunca aceitou que o Prefeito se misturasse a assuntos religiosos e o Prefeito também, nunca permitiu que a igreja se atrevesse em assuntos ligados a responsabilidade do Prefeito e da sua atual administração. Dr. Caldésio não tinha nenhuma idéia sobre o que era “marketing”, mas sabia vender bem sua imagem, não perderia a oportunidade de junto à igreja mostrar ao povo que sua fé andava junto com a política. Subiria nos palanques, acenaria para todos, pegaria crianças no colo para beijá-las e de mãos dada com o Padre ergueria para o céu em sinal de pureza e humildade para com o Criador. Mesmo a contra-gosto do Padre. O povo precisava vê-lo.
Ostentando um perdularismo coronelício Dr. Caldésio nunca escondeu dos cidadãos purificaçãolenses a rudeza no trato público, ninguém se metia a discutir ou difamar sua administração com medo de parar na cadeia. Filho de Coronel, o falecido Miguelito, Caldésio era considerado por todos a própria encarnação do pai. Era mais temido que um “coice de mula”.O único que se atrevia na oposição ao Prefeito era o Padre e como o Padre não podia ir preso. Ainda...
A Festa.
Um dia antes da procissão que precede a abertura dos festejos, o sacristão ao sair da sacristia deu dois passos e caiu ajoelhado feito fruta madura; segurou as duas mãos em sinal de prece e de frente parta o altar deu um grito e desmaiou no chão brilhoso e gelado da igreja. Arranjos, vasos e flores espalhados. Acordou, ficou em pé, olhou pro alto e só não desfaleceu novamente porque se agarrou firme a um pilar. Disse pra si: – Meu Deus do céu a estatua sumiu! À imagem sumira do pedestal, apenas o véu branco que cobre sua cabeça, ficou caído de lado. Sem fala o religioso foi cambaleando procurar o Padre, quase não se agüentava nas pernas. Saiu em disparada deixando escancarada a porta da igreja enquanto descia a escadaria com as mãos á cabeça. Padre Bento no momento subia a escadaria da igreja quando viu o moribundo passar por ele em disparada carregando poeira e muita folha seca caída das árvores. Gritou então pelo homem.
- Salomé enlouqueceu criatura!
- Agora não, vou atrás do Padre.
- Que padre abestalhado! Sou eu homem de Deus!
Salomé subiu a escadaria ofegante beijou a mão do pároco tossindo enquanto pedia sua bênção e se desculpava. – Respira fundo homem de Deus, parece que viu a noiva sem cabeça? - E foi pior, antes tivesse visto a noiva! disse Salomé ainda faltando-lhe ar. Então começou a contar o que tinha visto e não acreditado...
Padre Bento puxou Salomé pelos colarinho pra dentro e trancou a igreja batendo a imensa porta de madeira talhada a mão.
- Tome essa água criatura e me diga com calma o que te acometeu.
Refazendo o percurso o sacristão batia o queixo, tremendo dos pés a cabeça, detalhou ao Padre terminando com as duas mão dirigidas apontadas para o alto.
- Padre não posso acreditar, sai da sacristia e vi tudo remexido no salão e a estatua, ela desapareceu!
- Pai eterno!
- Quem poderia ter assaltado a casa do senhor?
- Primeiro não diga nada a ninguém que viu o que não viu!
- Nem a polícia? disse Salomé.
- Nem a polícia e a ninguém, se fui bem claro.
- Vou pensar o que fazer.
- Por enquanto limpe tudo isso, mas antes...
- Ajoelhe comigo e rezemos pedindo pro céus uma solução.
Enquanto rezava segurando as mãos de Salomé, imaginava a procissão saindo sem a estatua.
Decidiram esperar até anoitecer para quem sabe esse pecador pudesse mudar de idéia e então devolveria a estatua.
A igreja permaneceu fechada durante a tarde e a noite.
O dia amanheceu, logo pela manhã a movimentação tomava desenvoltura, os últimos detalhes quanto à organização era realizado. Na igreja o Padre Bento inconformado tinha de pensar em algo, passou em vigília durante a madrugada e nada da imagem. Estava com olhos fundos, cansado entre a cruz e a espada. Revelar o sumiço nesse momento causaria um tremendo alvoroço, e o cancelamento da festa, impossível nesse momento. Desfilar sem a estátua nem pensar.
Como acontece em todos os anos, hoje ás 19:00 hs. O cortejo deverá sair da igreja pela ruas da cidade.
Poucas horas antes, Padre Bento se trancou numa sala com Salomé para tomar uma decisão.
Os fieis já tomavam seus lugares se aproximando da porta da igreja para saldar Purificação com as velas acesas. A banda de música tomava sua posição, políticos iam chegando e a tarde foi cobrindo o céu para anunciar que em breve dariam início os festejos.
Quando a porta da igreja se abriu, coroinhas vestidos de anjos vieram à frente segurando partituras e harpas douradas, chuva de pétalas de rosas caíam em cima saudando a procissão. O maestro pôs a banda para tocar enquanto os foguetes cruzavam o céu para delírio da multidão. Padre Bento se aproximou da porta sendo saudado e logo atrás o andor era levado com a santa imagem toda coberta de flores e o véu por cima cobrindo a cabeça. O andor prosseguiu pelas ruas causando comoção aos fiéis que se esforçavam para tocar na estatua e pedir proteção.
O cortejo se aproximou do palanque onde o Prefeito esperava para saudar a imagem. Parada obrigatória. Dr. Caldésio leu seu discurso emocionado e cansativo abrindo as portas da cidade aos visitantes, praticamente implorando para deixassem seu ricos dinheirinhos na cidade, antes mesmo do encerramento, a banda voltou a tocar e o Padre Bento inesperadamente acelerou os passos do cortejo até finalizar ao chegar ha igreja fechando as portas. Muito dos fiéis se acotovelavam, queriam se aproximar da imagem, outros tantos eram loucamente carregados desmaiados e levados pelos socorristas até as ambulâncias de plantão. Mais que o normal, não era possível tal acometimento coletivo e repentino. No interior da igreja, de dentro do andor saiu as pressas Salomé arrancando flores e o véu que lhe cobria toda a cabeça, correndo em disparada quase voando do chão para o banheiro. Padre bento correu ao seu incauto, segurando-lhe pelos braços.
- Salomé me diga o que foi aquilo lá fora? Sentado no banco Salomé fez o sinal da cruz e contou ao Padre.
- Padre no retorno á igreja avistei a porta da igreja e eu já vinha apertado na vontade de usar o banheiro, cruzei as penas varias vezes durante o percurso e no discurso do Prefeito não agüentava mais e com a aproximação e a multidão bloqueando a passagem querendo tocar em mim, ou melhor, na Santa Imagem, vi que acelerou o cortejo, foi a gota d’água, na pressa de chegar fui batendo de mão em mão cumprimentando os fiéis, na idéia, na solução, de chegar mais rápido, mais depressa. Então muitos eu vi caindo pelo caminho, outros tantos gritavam “é milagre...”
- Graças a Deus chegamos a tempo, disse Salomé, enquanto o outro punha as duas mãos sobre a cabeça.
Nisso o Dr. Caldésio entra na igreja escancarando a porta escoltada de dois membros da guardas-civil que ficaram parados, demonstrando profunda irritação, se aproxima pisando duro tal cavalo no trote, apoiando o punho na cintura e a outra mão sobre o facão preso na cinta.Disse saindo fumaça pelas ventas.
- Quem ordenou a você Padre excomungado, que corresse com o cortejo?
- E você anão da sacristia, onde está a imagem que deveria estar dentro desta caixa? ...apontando com o dedo em riste para o andor todo desarrumado.
- Sem demora Salomé respondeu:
- Ela ia ao banheiro, se é que me entende!
- Insolente!
O Prefeito sem perceber a cena ridícula que prestava encarregou-se de averiguar se era verdade o que dizia Salomé. Tão rápido se encaminhou até o banheiro.
O Padre já de joelhos pedia perdão em prece e se ainda tinha créditos que Deus concedesse nesse momento.
Tão logo igreja ficou repleta de curiosos contidos na entrada pelos guardas do Prefeito. Nisso Caldésio retorna não menos irritado e apontando o dedo para os dois falou em tom de vingança gritando - Exigirei respostas pelo ocorrido nesta noite, alguma coisa me está cheirando mal!
Sem uma palavra e sem se despedir, rumou pelo corredor batendo as botas feito cavalo bravo até a porta onde desapareceu após empurrar diversos curiosos que se aglomeravam na entrada levando seus seguranças a tira colo.
A paz parecia ter se restabelecido, mas o que teria visto Caldésio no banheiro?
Correram o Padre e o sacristão até chegar na porta e gritar “MILAGRE” a santa voltou!
Abraçados os dois pularam, sorriram e choraram. Purificação estava salva.
E o mistério persiste pela cidade, as opiniões se dividem, foi ou não foi mais um milagre! Quem tocou na mão dos fiéis! Salomé! Como a santa foi parar no banheiro!
O certo é que mais um ano passou com a graça e a proteção de Purificação.
Quanto às explicações ao Prefeito, Padre Bento, não tardou em dar o troco.
Em carta enviada dizia:

Sr. Excelentíssimo Prefeito, Não devo explicações sobre o que ocorreu naquele dia, pois não costumamos explicar “Milagres”, e sobre o desmaios de alguns populares, queira me desculpar, O povo é e sempre será mais fiel a “Fé” e menos apegado a Política.

Atenciosamente

Padre Bento
Igreja da Purificação


Bem-vindo à Purificação
152 anos da Aparição

A Cidade dos Milagres




Autor/Escritor/Reinaldo Nunes Proença
Oriente,Editora ltda

Um pedaço de madeira abraçado à grafite/


Percorre linhas longínquas/ Linhas na contemplação/ Sentimentos/ A dor/ Lições/ Sofrimentos/ As lembranças/ Saudades aos pensamentos/ Frágeis os lamentos/ Que sejam nas emoções que envolvem a alegria/ Sorrisos enfim/
Quando as nuvens escuras tomam o céu, faz-se a Chuva e o vento/ para espalhar as milhares de gotas frias/ Trovões em meu peito arrebentam/ Arrebatam/ Folhas em mil formas e cores/ Invento o céu/ No vácuo entre a luz e a Vida/ Como Caminhos/ Muito mais que caminhos/ Como campos abertos pela imaginação/
Como o céu que desce sobre meus olhos/ As tormentas são meus desejos/ Cinzas são todos os meus olhares/
Nas linhas em cinzas/ Palavras grafitadas/ Um silêncio sem fim/
Vai num vazio/ Descalço pelas estradas dos sonhos/Até o final/ Vai/
/Reflexos/ Reflexivo olhar/Interminável linha/ Precipitasse/
Voa/
Voa palavra sobre as linhas/
Voa meu verbo/
Voa em brancas nuvens que nos une e nos separa/
Em cada encontro lajeando/ Fraseando/ Poemas ora rimas ora romanceando num paralelo/ Brincadeira real/
Abre este céu feito véu e que descortina/ Clareia/ Desvenda sobre os ventos que os sonhos adormeceram/
Intermináveis linhas deixadas como cinzas nessa minha vida/
Quando então o céu traz o azul/ Azul são todos os meus olhares/ A cinzas deixo aos ventos/ Além muito mais além das linhas de um tempo só meu/ Os campos eu vejo em flores/ Borboletas azuis anil/
Luz de todo sol poente/
Por entre folhas de um lindo jardim/ Em quantas linhas/
A linha da vida percorre? Das mais criativas ilusões/
Escrever e fazer das linhas páginas e mais páginas/
Livros/ Memórias de um amor/
E delas poder viver e reviver/
Desenhos feitos a mão nas nuvens brancas da inspiração/
Na luz clara e verdadeira de toda criação/
Abraçado feito madeira à grafite até o fim da linha eu irei/
Quem sabe não tenha que precisar mais apagar tantos erros/ Nem precisar correr os mesmos riscos/
Num ponto onde tudo volta/
Muito além/ Muito mais além de um ponto qualquer/
De um frágil e minúsculo ponto final/
Escrever das linhas a própria vida/
Criando a própria história/
Onde antes apenas era eu/ O principio/ meio e fim/
Abraçado feito madeira à grafite/
Interminável feito um abraço/
Infinito feito universo/
Assim como é “Deus” em mim/






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Oriente,Editora ltda.

sábado, janeiro 06, 2007

Yemanjá



A terra um dia clareou.
Eram rosas brancas caindo do céu.
E mãos estendidas às colheram.
Abriram botões em flor.
Desde aquele dia.
Enfeitaram os jardins.
E plantou em cada ser o perfume
Conhecido por amor.

Era um sábado divino.
O mar agitou-se.
Azul claro sobre as ondas.
Teu mistério se revelou.

Ouviu-se um canto lindo.
De tão lindo se espalhou.
Sobre as águas claras, cristalinas.
Encantou-se o pescador.

O vento soprou suave.
E as águas, acalmou.
À noite as estrelas lá do céu.
Vieram ao mar.
E nunca mais voltaram.

Conchas espalhadas na areia.
Brilhavam como estrelas no mar.
Trazidas cada uma.
Sob a luz da lua cheia.
Pelas mãos da mãe sereia.

Nas águas.
Teus encantos são ondas perfumadas desprendidas de uma flor.
É Mãe da vida.
É Mãe destas águas.
É Mãe geradora de todo amor.

Salve mãe tão querida.
Salve a rainha do mar.

Ado-ia, Yemanjà!



Reinaldo Nunes Proença
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Todos os direitos@reservados.
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quarta-feira, janeiro 03, 2007



No infinito azul dos olhos de Deus. O céu enfeitou-se de flores.
Colorindo com as cores todas as flores do jardim. Desceram os anjos do tempo.
Deixaram cair sobre as nuvens. Trazidas pelos ventos. Suave perfume de jasmim.

E um lindo dia sobre a terra surgiu.

Crianças correram nos campos cobertos pelo arco-íris.
Vieram todas. Todas de um lugar onde o amor é um pequeno grão
De luz no espaço.
Invadiram plantações,Florestas, bosques, nossas vidas. Cada canto. Cada espaço. Preenchendo em nós a alegria e em cada coração.

E as sombras se dissiparam.

E as estradas se formaram.
Levando no caminho todo lamento.
Em juramento que seriamos eternamente felizes.

Em cada olhinho aceso parado no tempo.
Em sorrisos flores se abriram ao vento.

E a vida acendeu.

Do céu desceram no firmamento.
Carruagens de pequenos deuses.
Pequenos anjos de brilho intenso.
Trazendo a pureza.

E nunca mais parou.

Seus encantos sobre a terra serão sempre lembrados.
Então “Deus” nosso criador enfeitou de azul seu altar.
E nunca mais deixou de criar.
Sem nunca deixar de olhar.
Para nenhuma flor.
Estrelas radiantes.brilhantes no infinito espaço . Plantadas em seu maravilhoso jardim...






Reinaldo Nunes Proença
www.reinaldo_rnp@hotmail.com.br
Título/ Ibejí
Todos os direitos reservados.
Oriente,editora ltda.

segunda-feira, dezembro 25, 2006


Barcos e Velas


Voam os sonhos da liberdade.
Velas ao vento.
Avança o barco.
Dias de Sol.
Do dourado ao
Rosa.
Avança meu barco.
Encontra entre os meus pensamentos.
O mais profundo e mais belos sentimentos.
Avança meu barco.
Viaja e se lança nessa correnteza onde os meus olhos não podem alcançar.
Perdido parecia nesse oceano revolto de tormentos e enganos.
Avança na tormenta insistente das tempestades que eu me deixei levar.
Arremessado nas profundezas onde o orgulho me fez prisioneiro.
Naufraguei por mais de uma vez. Navegante cego, cruel e impiedoso.
No mar ardente. Louco sedento em pleno oceano das paixões por varias vezes.
Avança meu barco.
Avança além destas águas.
Nas noites em que céu de estrelas lhe mostra os destinos.
Pudesse-me recolher em meu coração sofrido.
E se por um instante deixar as sombras que fiz companheira.
Saberia navegar.
Saberia descobridor dos mais lindos paraísos.
Saberia descobridor das mais sinceras verdades.
Descansa dessas lutas intermináveis.
Encontra-te entre meus pensamentos.
Os mais profundos e mais belos sentimentos.
Avança meu barco.
Velas ao vento.
No espelho das águas que te acalma.
Reflete sobre todas as coisas.
Sobre todas as tuas vidas.
E lembra-te do teu sonho.
E desvenda.
E viaja. Pelas águas onde é o fim das tuas procuras.
Onde os olhos não podem jamais alcançar.
Avança meu barco.
Sobre as ondas, onde os sentidos mais puros esperam teu retorno.
Quase perdido.
Quase esquecido.
Porto seguro.
Paragem de todas as naus.
Pôr-do-sol de todos os corações.
Onde o passado são apenas espumas perdidas na imensidão do mar.
Avança o meu barco.
Além destes mares.
Para a liberdade.
Para onde voam os mais lindos sonhos.
De Velas Livres e Soltas ao sabor dosVentos, nunca dantes navegado.



Reinaldo Nunes Proença.
www.reinaldo_rnp@hotmail.com.br
Todos os direitos@reservados.
Título/Barcos e Velas.
Oriente,Editora ltda.

sábado, dezembro 23, 2006


4.1


Na sala do médico.

- Doutor eu preciso urgente mudar meu corpo. Tenho personalidade, meu espírito é jovem criativo quero sair, viver, sinto-me um menino e a funilaria está ultrapassada em outras palavras: quero mais potência, muito mais desempenho, muito mais torque, quero sair do popular e passar para o exclusivo.
- Entendo, chegou uma linha no meu consultório 2007. Uma carcaça que agrada tanto, que é tricampeã em satisfação entre o público feminino. Agrada pelos itens de série: air bag duplo...desculpe! sem esse opcional é claro.
- Assim. Desse jeito o Sr. enfia meu pneu na lama. Não penso em mexer nesta área doutor, nada que em algumas seções com pesinhos modifiquem a atual forma.
- Imagina. Pra esse seu perfil você até que está ótimo, alinhado, conservado e se houver necessidade de alguma mudança preciso primeiro de exames clínicos para ver se me agrada o seu desempenho.
- Quanto aos sintomas.
- È assim:
- Quando os outros estão indo, eu já estou voltando.
- Na ruas, é como no ranking: você não vê ninguém na sua frente.
- Correto.
- Seu motor é 4.1?
- Sim.
- Nenhuma válvula?
- Sim nenhuma.
- Aliás só as de fábrica.
- Fuma?
- Não.
- Bebe?
- Socialmente.
- Já arriou alguma vez?
- Também não.
- Queimando óleo?
- Não, troco regularmente, sigo ainda o manual.
- Quanto ao câmbio: Manual ou automático?
- Manual doutor, essa peça continua original de fábrica também, nunca mexi, macio.
- Curto ou longo?
- ...aaai! Sr. pode emprestar a sua caneta um pouco.
- A minha assistente não liga pra estas coisas, mais pode escrever aqui,
- Isso ai. Obrigado.
- Vejo que e está bem.
- Também acho.
- Fala sério! (sempre funciona, serve pra tudo – e, ao mesmo tempo?)
- 100%
A assistente arregalou o olho e saiu de fininho fechando a porta.
- E agrada pela garantia.
- Bom isso todos dizem a mesma coisa, mas sem os exames específicos aceito a sua argumentação.
- Não acredita no que digo!
- Venha fazer um teste drive a semana que vem, a assistente agendará o dia e a hora.
- Quanto aos freios.
- Abs doutor.
- Nesses anos todos o Sr. já patinou alguma vez ?
- Nunca, imagina nem me fale nisso doutor, apesar de um pouco careca, nunca patinei nas curvas, sempre estive seguro inclusive na chuva, pistas escorregadias, óleo na pista, com neblina.
- Há...rodas de liga hem!
- Dorme na rua ou...
- Em casa mesmo.
- Subiu a temperatura alguma vez além do normal?
- Só uma vez num trânsito louco, mas parei no acostamento por um instante pra esfriar a cabeça e logo segui viagem, nada além doutor.
- Bom, quanto às mudanças que houverem necessidade de serem feitas, reservo o direito de alterar as especificações sem prévio aviso, preservo a vida. O Sr. me entende.
- Entendo.
- Bom finalizando...filho.
- Fique em pé. Abre as portas pra eu examinar . Abre o capô. Abaixe a capa até embaixo. Assopra com força. Pode subir e fechar. Agora repita Bi.
- ...Bi.
- Respira bem?
- Só não posso com ar condicionado.
- Música?
- Prefiro as clássicas.
- Mexeu alguma vez nos amortecedores?
- Graças a Deus não.
- Quanto ao porta malas?
- Esse tá durinho doutor e em perfeito estado.
- Ok.
- Doutor o Sr. sabe que a chuva o tempo de uso, as adversidades naturais desgastam as peças. O atrito é o causador da maioria dos problemas, a evolução da tecnologia deveria tornar nossas vidas mais fáceis, certo?
- Então fale isso para o fabricante.
- Filho você pensa como um conversível.
- È que não gostaria de terceirizar meus serviços doutor, se é que me entende, e além do mais tenho muito combustível para queimar apesar dos quilômetros rodados. Por isso procurei seus serviços.
- Meu rapaz sou sincero com meus clientes e não utilizo de palavras já de muito uso nesse mercado. Os desmanches estão abarrotados, causa de todos os tipos de manobras e acidentes causados por profissionais pouco treinados. Sinto em dizer, mas com toda segurança, as mudanças não alteram o alcance dos seus faróis, não vão desembaçar seus pensamentos. Mais velocidade mais potência se não for usado com responsabilidade você acabara guinchado mais cedo do que pensa para um cemitério. Se sente falta de algo, seja mais nostálgico, ponha brilho, ponha amor, charme, desfile como um Cadilac, Buick, seja um exemplar do autentico sonho feminino até masculino. Como uma pequena máquina que atrai muita atenção e nunca morre antes do tempo. Mas se ainda assim quiser o serviço de troca, adaptação ou conversão, disponho de:
- Injeção eletrônica, turbocompressor, vidro verde filmado, piloto automático, kit de conversão, troca do comando de válvulas, etc...
- Não vejo problemas em envenena-lo, talvez fosse economicamente mais viável até trocar o seu motor.
- Trocar o motor?
- Simples com meu estetoscópio ouço barulhos internos mecânicos, principalmente das peças do interior do motor. Batidas de bielas, pistão, comando de válvulas até mesmo do virabrequim que aparecem amplificadas, enquanto o seu motor funciona é possível determinar quais componentes apresentam folgas.
- Estou assustado!
- Não era a minha intenção.
- Pense no que eu te falei, fui mesmo sincero, tanto que nem tem fila de espera em meu consultório.
- Pois não vendo nada sem examinar antes meus pacientes.
- Ande não voe, ainda quero vê-lo rodando equipado de boas atitudes e bons pensamentos, tecnicamente você está ótimo.
- Obrigado doutor...enfim tudo em ordem e bom estado.
- A renovação será natural.
- Tenha certeza!
- E quando quiser venha nem que seja pra tomar só um aditivo, esse será por minha conta.
- Viagra doutor?
- Risadas...
- Só para os desregulados filho...
- Voltarei um dia.doutor.
- Esperarei.
- Após os cumprimentos acelerou os passos e sumiu na avenida central.


reinaldo_rnp@hotmail.com.br
www.reinaldornp.blogspot.com
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.


As verdades traíram os meus sentimentos.
No caminho para casa fui apunhalado no peito.
Serrei os olhos, engoli a seco.
A morte mais estúpida.
Acordei caído.
A penumbra espalhava-se naquela rua.
A Solidão.
Do centro da ferida aberta, diante dos meus olhos saíram as minhas Personalidades mais atuantes. Posicionadas não as reconhecia e uma a uma foram se apresentando.
Primeiro veio o Insano – Incapaz, desprovido de inteligência olhando-me e fitando-me tolamente e convidou a ver-me atuando.
Calei-me.
Pedindo licença veio até mim o Orgulho – Seus olhos brilhavam. Olhava-me por cima dos ombros, olhou em volta, ostentava meio sorriso, diminuindo-me e convidou a ver-me atuando.
Sem pedir licença o Estúpido – Se apresentou empurrando, apontou-me o dedo e confrontou, gritava, senti sua raiva e deu as costas enquanto me via atuando.
O Leviano – Se posicionou a frente, sorrateiramente bateu-me nas costas e me deixou. Sorriu a distância e convidou a todos a ver-me atuando.
Segurando o coração entre os dedos se aproximou o Flagelado – Entulhos pelo corpo. Amargurado, recolhido, fraco, deu as costas enquanto via-me atuando.
Tomando a dianteira o Executor – Encarou-me cruelmente, sua fisionomia
Transfigurada. Sorriu sarcasticamente. Era eu seu algoz.
Despediu-se enquanto via-me atuando.
Criador.
Alimentei-os, ora um ora outro, até mais de um.
O trabalho.
Desmascarar minhas atitudes diante da vida.
Repor os valores vendidos da alma.
Reconciliar pelo amor e a humildade.
Vejo através da janela do pensamento a fresta por onde a luz vasa.
Ainda a tempo de começar.
Estender as mãos e calar.
Mas o pior ainda estava por vir.
A sentença.
Na despedida sepultar cada um no terreno do esquecimento.
Tudo seria uma grande mentira se não guarda-se em meu peito essa cicatriz.


Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Todos os direitos @reservados.
Título/Verdades.
Oriente,Editora ltda.

Festa de Super-Herói


Este ano a festa de confraternização dos super-heróis estava antecipadamente marcada para a casa do Batman. Na verdade na mansão de campo, por motivos óbvios de pura humildade, no convite se lia casa. Dez mil metros quadrados cercavam esse monumento, especialmente construído para garantir total segurança e conforto ao homem-morcego.
Academia, sauna, campo de futebol, campo de golfe, quadras de tênis e squash, piscina, salões de festas.Em todos os ambientes, câmeras seguiam seus passos, Tudo cercado por frondosas árvores, gramados e canteiros de flores espalhados por toda propriedade. O que se via era praticamente uma mine floresta tropical.
A cor escura predominante nas paredes do lado de fora tinha suas razões. Duzentos quartos, todos com sacadas, sala de vídeo, tela de plasma de cinqüenta polegadas com todos os seus filmes e desenhos animados, camas king size em forma de morcego, claro, sua marca estava em todos objetos, frigobar, cama elástica, banheira com hidro, e não podia faltar o telefone vermelho no criado mudo de cada aposento, para eventual comunicação direta com a bat-Administração. Sem contar com atenção dos duzentos funcionários treinados para atender os hóspedes, todos senhores idosos, alinhados em ternos pretos e se pude perceber todos usavam óculos. A suíte do Batman, não se tinha notícias, muito bem guardado e seguro, não podia ser visitado, por razões já descritas, sua intimidade não podia ser motivo para jornais e tablóides sensacionalistas desmoralizar sua identidade perante a sociedade, sem contar com o perigo que rondava sua carreira de super-herói a destemida ave esfenisciforme conhecida cientificamente por (Spheniscus Magellanicus), vulgo Pingüim, possui asas atrofiadas e as pernas colocadas muito atrás, cabeça preta, com uma faixa branca estendendo-se até o pescoço, dois colares negros, um largo, e um estreito, sobre o pescoço e o peito, e bico com mancha vermelha na base, essa espécie pode alcançar altura superior a 1,2 m, usa um grande guarda-chuva preto pontiagudo utilizado para fuga e fuma cigarrilhas, se diferencia quase sempre por uma cartola preta, alimenta-se exclusivamente de peixe, crustáceos e às vezes de morcego e até de garotos prodígios, não costuma agir sozinho vem sempre acompanhado de capangas que usam roupas coloridas tipo gola rulê com um desenho em espiral na altura do tórax, raramente exclamação ou interrogação. Vive a maior parte do tempo no oceano e já foi visto muitas vezes em Gotan-City, cidade praticamente abandona pelas autoridades. Deixamos um pouco seu inimigo número um de lado, pois nada poderia acontecer de errado e com o humor de Batman, nunca é bom brincar. Quer vê-lo enfurecido é contar como o pingüim conseguiu imobiliza-lo num shoping da cidade junto ao garoto prodígio, numa camisinha gigante lubrificada e fugir em seguida, mas voltamos os holofotes para a mega festa que iria acontecer.
Batman, terceirizou todo o serviço de bufê, não queria perder tempo em cuidar da cozinha, lugar por onde nunca foi visto desde que construiu este império, o critério por incrível que pareça foi todo do parceiro Robin, muito exigente por sinal, o valor calculado não foi informado, mas não tinha miséria nesses eventos, vizinhos que não puderam ser convidados queriam saber de onde vinha o gasto astronômico, uns diziam que se apoderavam de sacos de dinheiro apanhados em confrontos com marginais, outros acusavam de lavagem de dinheiro, até jogo do bicho. Lá fora grupos extremistas se vestiram de pingüim e gritavam em coro frente ao portão principal,...Robin viado! Robin viado! Não demorou muito a polícia chegou para dispersar os engraçadinhos. Vans carregadas de utensílio para festa entravam descarregavam e saiam. Alimentos, bebidas, doces, arranjos. A carreta de som também veio, instrumentos, luz, potência, cantores e bailarinos. Dos convidados quase todos confirmaram presença, da lista fixada na porta de entrada lia-se e os nomes mais conhecidos: Políticos de Gotan City, O presidente do sindicato dos super-heróis, Aquáman, Capitão-américa, Capitão-Ski, Hulk, Homem-aranha, Homem-elástico, Highlander,Homen do fundo do mar, Mulher-gato, os 4 fantásticos, Tor, Zorro, Xirra e Et, e familiares. Na lista mais abaixo e não menos famosos nomes como: Magneto, Fera, Colossus, Meleca-man, os mais animados não puderam fazer parte da lista são eles, Os incríveis, Os impossíveis, Scooby-doo,The powerpuff girls, e Pinocchio que espalhou pra todos que estava na lista, em nota distribuída a imprensa, Gepetto não quis comentar o caso.
Enquanto isso no lado de fora...
Um corredor feito de fãns segurando cartazes e de curiosos se formou do lado de fora, próximo da residência, um cordão de isolamento foi feito para evitar possíveis tumultos. Trabalhando até mais tarde, Batman deparou-se com o aglomerado de pessoas que congestionavam as principais ruas de acesso a sua residência, não teve duvida fez meia volta e se enfiou mato adentro numa passagem secreta com seu conversível preto sumindo sem deixar pista. Na residência Robim a paisana, dava os últimos retoques num dos salões; mesas enfeitadas com motivos bem originais, toalhas, copinhos e máscaras com motivos dos super-heróis.
Detalhe...
Nunca entendi porque usava a cueca por cima da calça, mas isso são detalhes que passam desapercebidos por muitos. Vamos atrás de Batman. Tão logo estava em sua batmansão, irreconhecível, arrastando galhos, folhas, e enlameado segurando o que seriam duas baguetes, assim que desceu do bat-móvel, o pára-choque veio ao chão. Robin ao vê-lo naquela cena não exitou em chamá-lo a atenção, enquanto socava uma mão na outra.
: - Homem-morcego você não tem jeito mesmo!... Deixa esta capa na lavanderia e sobe pra tomar seu banho, se não quer ser visto assim,... santa imundice Batmam!
Batman: - Você acertou de novo Robin!
O céu já se transformava cinematograficamente e a claridade do dia se foi como um passe de mágica. A lua se afastou para dar lugar ao símbolo do morcego projetado bem acima da mansão, lá fora todos apontaram com o dedo cinematograficamente em direção ao símbolo.
Enquanto isso na batmansão.
Pelo bat-comunicador os convidados foram avisados a descerem até o salão principal, e como num corte de cena, todos estavam acomodados em suas mesas. Drinks, música e a
festa estava começando. A chegada do Homem-morcego foi em grande estilo. Lançou no lustre de cristal posicionado ao centro do salão sua bat-garra, recolhe e mais uma vez lança , ai sim no segundo arremesso desce por um cabo escorregando até o palco enquanto suas asas se abriam para delírio de todos lá embaixo. Robin não deixou por menos de dentro de um gigantesco bolo no centro do salão surgiu o garoto prodígio num modelito básico, cueca por cima da calça, máscara e cabelo carregado no gel, enquanto luzes, bexigas e chuva de papel picado caiam por cima; de novo o povo veio ao delírio. Então bem ensaiadinho se juntou ao parceiro para oficialmente anunciar a grande festa anual.
No microfone batman. – É com imenso bat-prazer, que todos tenham uma bat-festa bat-feliz esta noite, agradeço o bat-carinho e o bat-respeito por nós, e por terem comparecido a minha bat-caverna. E se caso precisarem de mim, estarei de ponta cabeça, brincareirinha! Risadas pelo salão. Robin não gostou nada da piada, não queria sair do script da festa, disse: - Santa sengracisse Batman! Batman jogou a capa por cima do ombro e saiu de fininho sem dar muita bola ao companheiro.
A festa...
Aquáman logo sentiu-se mal, apesar dos ventiladores gigantes, jogava ponche pela cabeça para refrescar-se. Capitão-américa, usou seu escudo virado pra cima, pra fazer seu pratinho.
As crianças se divertiam ao ver o grandalhão Hulk sumir quando passava pelo self-service de saladas, A mulher gato passou por apuros, derrubou cadeiras e mesas, quando um dos seguranças não conseguiu segurar o cão de guarda. Mas o pior aconteceria com o Et, foi socorrido pela ambulância de plantão, um dos convidados cravou o garfo em sua cabeça quando fazia o prato ao confundi-lo com um cogumelo. Xirra e o Zorro se divertiram na dança da cordinha. Homem-aranha organizou uma fila enorme de crianças e da cadeira lançava teia nas bexigas presas a parede . Os 4 fantásticos, subiram no palco e animaram a todos num pagode animado. A festa seguia como Robin planejara, quando misteriosamente as luzes da mansão se apagaram. A gritaria foi geral. Batman rapidamente subiu ao palco, segurando um toco de vela aceso para acalmar a todos, mas acharam que fazia parte de um espetáculo de um show, pois a cada vez que parafina pingava em sua mão gritava para alegria dos convidados. Robin de longe socava uma mão na outra sem entender nada. Batman percebeu que momentaneamente tinha o domínio da situação, começou então a fazer alguns números circenses e a contar piadas. - Sabem porque o pingüim dorme de barriga para cima...Responderam, Não. Porque se ele dormir de barriga para baixo ele fura o travesseiro...Era só risadas. Robin inconsolado e chiliquento rasgou a programação da festa e chorando, subiu para o seu quarto apressadamente, acompanhado de uma garçonete. As luzes não tinham voltado, Batman todo suado então puxou um parabéns pra você, ninguém entendeu nada, mas todos cantaram. Batman aproveitou o momento para deixar o palco e beber um pouco de água, quando viu um cara fantasiado atrás da cortina, rapidamente pegou pelo braço e puxou para frente, todos riram e bateram palmas, ovacionando não pensou duas vezes, mandou um tapa na cara do homem vestido de Pingüim que foi parar longe. Esse da ponta do seu guarda-chuva jogou uma fumaça azul que fez o Homem-morcego se coçar sem parar para delírio do povo de plantão. Batman, assim que conseguiu sair dessa. Deu um duro golpe na cartola do pingüim enroscando-a no lustre. Pingüim amarrou as pernas desse e começou pular em sua barriga. Alguns super-heróis socavam a mesa de tanto rir. Batman então se agarrou ao bico da ave e puxou esticando o máximo enquanto pisava em seu ombro, fazendo esse bater as asas no chão pedindo desesperadamente para parar. Nesse momento todos jogavam pratos e o que tinha sobre as mesas para o alto. Da suíte de Robin. Cinco homens vestidos estranhamente chegaram até a porta e pediram para que abrisse, deitado em sua cama gritou para que fossem embora, não queria ser importunado, insistentes ameaçaram derrubar a porta. Robin já nervoso pelo descalabro que se transformou sua festa, abriu a porta tão logo catou um porrete e saiu em disparada distribuindo porrada nesses malcriados. Quando a luz voltou, o salão fervilhava. Batman carregado nos ombros dava voltas pelo salão, ouvia-se muitas palmas misturados a gritos, no canto do palco Pingüim era arrastado para atrás da cortina. A festa continuou madrugada adentro, mal sabiam eles que Pingüim e seus capangas tentaram estragar tudo. Graças ao maravilhoso improviso de Batman, e a enxaqueca de Robin, ninguém percebeu nada, muito menos eles.
Festa de Super-Herói é assim, se alguém duvida.


Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/Festa de Super-Herói
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora Ltda.

Aqui Jaz!



Uma mulher aparentando 40 anos entra no cemitério para depositar flores no túmulo do marido recém falecido, ao se aproximar depara-se com uma cena nada convencional. Numa vestimenta fúnebre e de contornos muito femininos, uma mulher de aparência jovem ocupava o lugar que, com certeza seria da balzaquiana. A jovem chorava aos pés do jazigo. Confusa querendo assimilar melhor o que via, se aproximou com certo cuidado ficando assim instalada ao lado de outro túmulo. O impacto causado era mesmo assustador, o choro dessa mulher traduzia os sentimentos mais profundos, ao mesmo tempo a duvida tomava-lhe conta se estaria mesmo no local correto. A balzaquiana permaneceu petrificada, confundia-se agora com as outras estatuas. O buquê de rosas em suas mãos desalinhara de uma forma que já não se via um conjunto harmonioso entre os botões e galhos de mimosa. Era visível o nervosismo.
- Porque partiu? Nós éramos tão felizes nascemos um para o outro, disse a jovem.
Escondida no maço de flores, o rubro das suas maças denotava tamanha perplexidade e confusão mental, era a definição desse momento, esperou então que a viuvinha fosse mais clara em suas emoções.
A jovem continua...
- O bife...
A mulher.
- Que bife minha filha!
A jovem.
- O bife acebolado, você adorava lamber o prato até não precisar lavá-lo...
A mulher.
- A cebola,...Não deve ser o Fernando, ele detestava cebola, mesmo antes de sentir o sabor da comida adivinhava se tinha ou não cebola. Era por o pé na cozinha e já vinha falando da maldita cebola.
A jovem.
- A cozinha está vazia,... suas espátulas,... seus temperos, não mexo em mais nada, parecem sentir a sua falta, suas receitas...
A mulher ia remoendo cada palavra.
- Não era da mesma pessoa a quem essa fulana se dirigia. O Fernando só entrava na cozinha para beber água, me apressar nas refeições, tinha pavor à gordura, me dizia que suas roupas cheiravam a churrasco.
Começou então a ficar um pouco mais calma quanto as suas observações, logo seria um engano afirmar tamanho absurdo e um desrespeito ao envolver o benemérito falecido ao qual tinha se dedicado ao longo desses anos tão somente aos cuidados do lar da família e seu. Voltemos então...

A jovem.
- Não tenho forças para continuar vivendo... Estou só meu amor... Pensei que fossemos ficar juntos Fefê querido...Fala comigo...
A mulher.
- Fefê o quê? Meu Deus! Disse a escondida, desembucha. Feliciano, Félix...Pode ser Fedato, outro nome menos Fernando. Não agüento mais esperar.
Parecia estar lendo os lábios da jovem e o seu sexto sentido numa sobre vida falou mais alto, alias dos sentidos era o único, pois os anteriores já não lhe davam nenhuma resposta. Num lapso de tempo arremessa o buquê para o alto e bem longe e este gira em slow motion enquanto silabavam juntinho o nome de toda essa confusão. F/E/R/N/A/N/D/O!
- ...Fernando fala comigo, me dá um sinal que você está me escutando...
A mulher já sentindo a traição do morto, caiu em prantos. Agora o desespero tomava-lhe conta, a maquiagem descia misturada ao choro convulsivo, ajoelhada com a cabeça baixa, já não tinha mais duvida. Fernando era mesmo um facínora, um crápula, cafajeste. Declamou seu texto assentado no ódio na tristeza e na angustia sem poupar-lhe adjetivos enquanto socava o jazigo de um morto qualquer. E continuou...gritando. Fernando seu traidor de lar. Incontrolável, agora desmanchava flores do canteiro, remexia a terra e quebrava vasos. Pobre mulher.
Houve-se passos, uma terceira pessoa. Uma mulher aparentando ser mais velha se aproxima e presencia a fúria dominante naquela mulher traída. A sexagenária se aproximara da balzaquiana mantendo uma distância segura e põem-se a escutar.
- Você detestava cebola seu cretino! Você não fritava um ovo se quer... Se eu soubesse que havia outra mulher...Eu mesma teria te matado cachorro...Fernando levanta daí seu frouxo!
Ao escutar o nome Fernando, a sexagenária começa a passar mal. – Quem seria essa mulher a destilar tanto ódio? Sem poder dizer mais nada desmaia ali mesmo, entre um túmulo e outro.
É então encontrada minutos depois, deitada segurando um arranjo de flores sobre a barriga, por um funcionário do cemitério. Assustado o homem cutuca a velha pra se ter certeza do óbito, mas de sorte ainda respirava. Passado o susto inicial, toma-lhe o braço pelas costas e lhe aplica uns tabefes na bochecha reanimando-a.
A velha acorda.
Agarra-o pelo pescoço e grita. - Imbecil! Me solta você não merece meu carinho, seu traidor, escondeu de mim todo esse tempo, tire suas mãos sujas de cima de mim, onde já se viu Fernando, seu velho frouxo, mulherengo!
O funcionário.
- Eu sou o Brito minha senhora, só Brito o coveiro, acalma. A senhora desmaiou bem aqui.
Recompondo-se do desalinho, rapidamente levanta apoiando-se em seu ombro e se afasta dando-lhe um empurrão, então sem jeito deixa as flores e outros adornos no braço deste, e sai cambaleante apoiada com uma das mãos nos quartos e a outra na testa, entre as pequenas ruas do cemitério até sumir de vista.
Brito coça seus miolos – Aqui é assim cada dia uma surpresa,... Morto que aparece vivo e vivo que aparece morto.
A paz e a tranqüilidade que parecia ter desaparecido deste lugar novamente se restabelece.
O silêncio do final de tarde se mistura a neblina que rapidamente cobre grandes mausoléus. Últimos visitantes passavam pelo portão principal fazendo o sinal da cruz e vão embora.
Às dezoito horas em ponto toca o sino e o portão é fechado.
Do grande corredor principal do cemitério escuta-se passos, do meio da densa neblina aparece a figura de um homem alto, alinhado num terno cinza escuro e passa cortando as encruzas parecendo alma perdida. Na verdade é seu Leonel, Administrador do cemitério, nas mãos segura três finas peças feitas em mármore branco com detalhes e gravações em dourado.


Aqui Jaz.

Fernando Costa Lima,

Aqui Jaz.

Fernando Duarte,

Aqui Jaz.

Fernando de Souza Melo,


...Lembranças da Esposa e Família...

Obs. Em todas as lapides lia-se.
Descanse em Paz.

Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/Aqui Jaz!/Crônica.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.


Parti sem destino pelas ruas desertas caminhando descalço contra o vento
Contra as ilusões e os pensamentos.

O tormento avassalador perdura no peito, o olhos cheios de lágrimas e risos
Molham meu rosto agora coberto pelas mãos frias e vazias.

Quem no lamento, no desespero se entrega ao extremo, esquecido, quase mendigo pedinte de amor, compreensão.

Na sombra distorcida meu corpo se arrasta, pedaço de gente
A passar pelas entranhas do esquecimento.

Sou apenas esse perdido, vagabundo caindo e vivendo o drama.
Essa noite em cada pedra desse caminho terei deixado estampado nas linhas do tempo apenas verdades.

E se puder ir mais além, carrego nas costas o peso das minhas vidas desperdiçadas, meus erros, meus enganos, e traições.

Pobre coitado, esquecido, vencido nas lutas inacabadas causador e causa.
Nas batalhas perdidas receber o mais duro golpe o da consciência.
Na calçada, os mais terríveis medos vejo passar, despidos de todas as caras;
Se aglomeram a me ver passar.

Fantasmas, meus amigos fantasmas riem de mim enquanto aplaudem minha passagem.
Encheram-me com as mais vazias promessas e agora zombam de mim.

Sinto que cheguei ao fim.

Não quero piedade, quero apenas a mente vazia, quero poder ver o novo, e se puder trocar o corpo que seja o mesmo assim terei certeza de ser eu mesmo.

Se no caminho perder o destino saberei ir onde o vento me levar e se ir mais além é esquecer os lamentos andarei bem mais.

E quando voltar, caminharei pelas ruas e saberei ver as pedras que em verdades viram-me passar.


Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/Andarilho.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.


Opinião.



Não é por menos que a vontade ligada a uma série de desejos venha a preencher de momento boa parte das nossas prateleiras num plano mental. Como uma criança que visita o parque pela primeira vez, vê o mundo de maneira singular, pode-lhe ser agressivo, perigoso, encantador, colorido, mágico dentro das possibilidades que as experiências lhe darão. Então lhe trará sentimentos de alegria, segurança, liberdade. Mas de onde vem às sensações, a percepção.
“... Os sentidos interligados são: Olfato, Paladar, Visão, Audição, Tato. Como aliado o sexto sentido. Deles são extraídas as sensações. Percepção é o somatório de toda compreensão e interpretação das sensações que ocorrem num determinado momento.
A função principal é o sentimento, sem os sentimentos não poderíamos discernir, sem o exercício da percepção fica difícil uma maior compreensão dos fenômenos do reino interior.
A criatura humana é um ser que pensa, portanto é produto de suas sensações e percepções.
Muitos de nós estamos tão distanciados de nossas percepções – manifestações interiores, que nos tornamos “mártires de relacionamentos” Somos incapazes de manter relações duráveis ou sinceramente afetivas...”Quando nos distanciamos das verdadeiras respostas e estímulos que nos chegam o todo momento, criamos o nosso mundo repleto de não verdades, esse quadro pinta como um prumo criativo imaginário e falso. Um barco sem rumo, um veículo parado na encruzilhada. A complexidade em criar uma auto-imagem em vista da simplicidade de absorver pelo discernimento, pelo que os sentidos internos nos tem a mostrar, equilibrado, coordenando cada estimulo, acessando, direcionando e até modificando padrões. O ser criativo quer criar, amadurecido nas experiências que o campo oferece, contribuindo nos mais variados estágios do conhecimento.A genialidade está no acesso das infinitas possibilidades intrínseca dentro do próprio ser. O verdadeiro ser é interdependente, existe a reciprocidade. Na sombra o ser vê os outros como superior, O maior, O primeiro,O único, é uma mentira quando se toma posse do seu verdadeiro espaço no universo, ou se personaliza noutro extremo.
Dentro de cada um a semente foi plantada, (o poder), e deseja germinar em solo que lhe possibilite absorver nutrientes, (conhecimentos), se desenvolver alcançando o sol, (autoconfiança), que cresça, de frutos, (amadurecimento), e faça sombras em seus próprios pés, (compromisso).
Fora do seu próprio caminho o ser se torna indiferente ou vai aos extremos, criando as suas próprias compensações a pretexto de encobrir ou se valer de uma manobra que sustente, apóie e viva intensamente esta fantasia. Em resposta o ser agride, obsedia, corrompe, foge, prende, maltrata, oprime, entra na loucura, vai para as drogas, entra na criminalidade, porque ele mesmo fechou as portas criativas que são os canais de ligação com a “Suprema Inteligência” para respostas das mais diversas questões e soluções desde relações humanas que, se pode ter, até das mais simples questões cotidianas; as suas próprias e as infinitas possibilidades que ele deixa de descortinar onde a vida é cooperativa, criativa, flexível e emanadora sobre todos os aspectos e deixa de retirar dela o que se precisa.
O desconhecido, de tantos rótulos perdeu a identidade. Como marionete; quem será o próximo a manipula-lo.
Viver as verdades da alma, que se expressa a todo o momento tem seu preço não vive-las também.
A vida é um banquete, esperando que acordemos desse sono profundo e interminável.
Então vamos deixar o parque das ilusões, de mãos dadas com a vida que é cristalina, que oferece o caminho com retorno seguro, deixar o esconde-esconde apenas na lembrança ingênua da infância. Equilibrado quando a vida balançar de um lado para o outro. A vida é mesmo uma grande brincadeira, quando você não quiser ser o super-herói ou o malvado, os obstáculos estão lá para gente pular e não carrega-los. Vamos rir de tudo até da desgraça; vão achar que é loucura, vão querer te dar corda, lembra da história da semente e segue o caminho que só você pode fazer.
Se olhar para trás é pra reconhecer o quanto foi importante apoiar a si nas suas verdades, escutando a alma. Fora é o sofrimento, longe são ilusões, e distante é o caminho inverso, porque tudo começa e evolui nas verdades plantadas, sentidas, onde a escolha é de cada um, onde a colheita é obrigatória.






Reinaldo Nunes Proença.
Reinaldo_rnp@hotmail.com
Todos os direitos reservados.

sexta-feira, dezembro 22, 2006



O que tem no céu?
Tem bastante nuvens, diz a criança.
Tem as nuvens,o azul e as estrelas, diz o jovem.
Tem as nuvens o azul as estrelas e a lua, diz o homem.
Tem as nuvens o azul as estrelas e a lua cheia, diz a mulher.
Tem as nuvens o azul as estrelas a lua cheia e o sol, diz o senhor.
Tem as nuvens o azul as estrelas a lua cheia o sol e os anjinhos, diz a senhora.
Tem as nuvens o azul as estrelas a lua cheia o sol, os anjinhos e o Papai do Céu,diz o Padre.
Tem as nuvens o azul as estrelas a lua cheia o sol, os anjinhos, Papai do Céu e uma escada pra chegar até ele,
Diz o sábio.





Os
Incrédulos,
Ignorantes,
Infelizes,
Miseráveis,
E os políticos Não souberam responder.

Reinaldo Nunes proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/O que tem no céu.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.










(Prisma)
A luz em tudo percorre num espiral, vindo do alto, nasce no véu das cachoeiras. O verde a mata são molhadas, pulverizadas. Pequenas gotas caem, folhas, galhos, terra. Percorrem o caminho. Juntan-se a outros caminhos, encontrando.
Destinados à união.
Paz.
Represada, surge.
Em volume, extensão, profundidade.
Luz azul cintilante transparente, pedras, peixes, plantas.
Flores soltas dançam girando ao sabor da brisa fresca, perdidas, encontradas, pétalas brancas e folhas verdes, apontadas para o céu parecem absortas, muitas, maduras.
Deixam as árvores convidadas pela natureza.
Sons da vida.
Sombras e brisas.
Caminhos, encontros.
A percorrer pelo infinito.
O Sol a deixar o dourado sobre todas as coisas. Cristal.
O Azul-Cintilante cede seu espaço ao verde, tudo esta diferente.
Adentram vindas do interior da densa floresta, desprendidas das crisálidas. Borboletas Azuis, grandes muitas, a refletir no espelho d’agua sua vidas azuis.
Cobrem tudo e tudo esta azul anil, o universo ficou azul.
A natureza as convidou.
O vento esta se aproximando, põe todos os corpos em movimento proíbe a inércia e do topo das frondosas árvores os troncos anunciam a evolução das folhas, folhas no espaço, paralisadas no tempo giram, ocupam o céu. O salto para a liberdade.
O calor abriu fendas e as vagens maduras se abriram e foram lançadas e viajam plumas brancas alvas carregando pequeninas sementes, vidas.
Movimentados os peixes se multiplicam se agitam, as águas evoluem em ondas.
Viajantes os pássaros aproximam-se e tocam o espelho d’agua e desaparecem tão logo apareceram.
O sol intensifica o dourado, raios de ouro a fulgurar a natureza.
Os grilos avisam da chegada do anoitecer e o concerto prossegue quando o Sol cede lugar a Lua e a noite vai cobrindo com seu manto negro.
As cores se foram, há escuridão em tudo. Percorre entre o céu e a terra o brilho prata das estrelas.
Pequenos pontos de luz deslizam abaixo do céu vaga-lumes, muitos, a natureza os convidou e a todos para viver mais um dia em suas vidas.


Reinaldo Nunes proença
reinaldo_rnp@hotmail.com.br
Título/Prisma
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.


Viajando no Mundo dos inocentes



Tem o mundo que cada um deseja. Na vitrine da vida as prateleiras estão repletas das mais cobiçadas substancias e atrativos, que os olhos refletem o brilho feito criança no mar de cores, sabores e perfumes.
O convite tem seu preço, o preço da viagem. Viajamos então no tempo, buscando no pensamento quantos cuidados foram preciso para embalar as nossas pequenas vidas. Eu quero dizer do carinho que a maioria sentiu na infância, quando envolvido com o copo de suco e uma fatia de bolo, paralisado no tempo; sorvia cada gole de suco com bolinhas estourando na ponta do nariz e o bolo tão colorido e gostoso parecendo nos levar no caminho do arco-íris.
O sonho não terminou, continua no mesmo lugar, apenas deixou de lado a fantasia do prazer duradouro pela ilusão da viagem sem cor, sem sabor, e sem perfume. A criança adormeceu no sono profundo e não quer mais brincar de ser feliz, triste este fim.
Se pudéssemos voltar e acordar como quem acorda olhando para o porta-retrato no criado-mudo e ver você sendo abraçado pelos seus pais, e se quiser ir mais longe...A noite estava me esperando, com bexigas presas no teto, os doces colorindo a mesa, balas envolvidas em papel prateado e no centro o bolo. Logo atrás eu com todas as crianças, felizes e gargalhando de tudo.
Ainda que seja tudo uma fantasia, guardei com carinho o pouco que resta de uma vida de escolha.
Não faltou nenhuma cor, sabor e muito menos perfume.
Estávamos felizes, apenas por sentir que no fundo de nossas pequenas vidas, sabíamos que Deus estava brincando de nos ver assim. E se perder tudo foi trocar o doce da vida.
Hoje eu sinto, que escolhi fazendo a opção.
O salão ficou vazio, as cadeiras estão sobre as mesas, à luz se apagou, e no chão sentada uma só criança, com lágrimas descendo dos olhos, na mãozinha segura o convite. O convite do vicio que a droga levou.
Se ainda há tempo volte correndo para abraçar sua criança enquanto gira feito pião e veja as luzes do seu amor aceso no peito, a cor voltou, o sabor e o perfume intenso da vida, que é o presente de Deus pela sua escolha, e se ainda as lágrimas insistirem serão com certeza de muitas felicidades.






Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com.br
Título/ Viajando no Mundo dos inocentes.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.

A essas terras, que me acostumaram a pintar meu rosto, meu corpo.
Ao encontro da luz da manhã pelo chão feito caminho que se passa sem perceber.
Na companhia, não sei se é sonho se é visão ou assombração.
O céu engoliu as estrelas, desmanchou as nuvens que brincam de fazer figuras e rostos.
A essas terras, que me ensinaram a andar de olhos fechados. Ilumina luz de fogo ardente lá no céu, engolindo as sombras frágeis quase ilusão.
O verde de todas as plantas transpiram.
Transpiram em mim todos os rios que descem feito corredeira.
Tenho a sensação da embriaguez.
O vento quente abana meu rosto quase em chamas.
A essas terras, que minhas mãos cultivaram o fruto.
No mar verdejante de folhas, surge teus filhos onde trabalham a massa da terra para semear.
Sinto nas veias da pele, sinto no cheiro da terra molhada à morada das minhas saudades.
O gole sedento da água que escapa de um furo de mangueira.
Mata antes minha sede.
Tinge minha cor agora barrenta quase vermelha.
A essas terras, que faz as voltas que o mundo dá.
Se escolhe os filhos sou apenas mais, sem nome.
No retorno, eu sei que é sonho , eu sei que é visão.
Esta lá a estrelas no céu.
Esta lá cada mistério que sabe “Deus” sua razões de querer a noite enfeitar.
Já é noite no meu destino.
O sol apagou a luz e foi-se de mansinho deitar.
A essas terras, que embala, gente que embala até os bichos.
No escuro quase cego traz os grilos pra cantar.
Clareia luz de lamparina, as primeiras casinhas de barro.
Portão escancarado balançado pelo vento.
Cheiro de mato, Cheiro de erva de benze, cheiro de chá que ferve a água até de banhar.
A essas terras, que mais desejaria eu, escolhido na simplicidade dos meus gestos comparado aos teus.
Diz então nos meus sonhos, que és sempre verdade.
Viver da natureza, da roça e de tudo que puder plantar.
Os bichos, plantas e gente.
Sol, terra e luar.
A essas terras, que eu vivo.
Onde a chuva é passageira.
E nos meus sonhos vejo o mar.
Não me mate de saudades.
Sou teu filho órfão.
Deitado em teus braços.
No encontro ao amanhecer.

Reinaldo Nunes Proença
Reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/ Minha Terra.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.

Quando perderes a partida, e se tudo parece que foi em vão. Acalma.

Quando chegares tarde, e se tudo parecia colaborar. Acalma.

Quando o coração apertar, e se sentir que esta sozinho. Acalma.

Quando o tempo parece que passou por você, e se sentir esquecido. Acalma.

Quando olhares pela janela, e se o vazio preencher seus pensamentos. Acalma.

Quando o espelho mostrar as lágrimas, e se sentir entristecido.Acalma.

Quando a amargura, a incompreensão ferir, e se a distancia for o caminho. Acalma.

Quantas vezes passou pelas crianças e não percebeu seus sorrisos e se ainda distante escutou seus gritos como que chamando para vida.

Quantas vezes as plantas esquecidas no caminho nos jardins da vida deixou para traz, e se um olhar faltou e se o perfume das flores envolvessem seus sentidos, as cores mudariam alguma coisa.

Quantas vezes o sol se pôs no horizonte. A luz se foi sem saber que existia. E se pudesse perceber lentamente se foi.

Quantas vezes o silêncio o preparou para meditação, e se estar sozinho era estar com Deus. Então sentiu que estava triste.

Quantas vezes o dom da vida pintou nos quadros do cotidiano as mais simples pinceladas, e se apreciar foi teu esquecimento.

Quantas vezes o mundo não compreendeu tuas palavras e teu verbo se perdeu em magoa, e se o desencanto foi perder sua luz.

Quantas vezes voltar estarei antes de você, e se assim for, não esqueça.
Quando ainda que pequeno sozinho deixado nessa vida. Acalma.

Quantas forem às noites e os dias lembra essas pequenas linhas, e se mesmo assim você deitar em prantos, feche seus olhos. Acalma.

Estarei ao seu lado.

Reinaldo Nunes Proença
www.reinaldo_hotmail.com.br
Título/ Quando Perderes a Partida.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.