sábado, dezembro 23, 2006



As verdades traíram os meus sentimentos.
No caminho para casa fui apunhalado no peito.
Serrei os olhos, engoli a seco.
A morte mais estúpida.
Acordei caído.
A penumbra espalhava-se naquela rua.
A Solidão.
Do centro da ferida aberta, diante dos meus olhos saíram as minhas Personalidades mais atuantes. Posicionadas não as reconhecia e uma a uma foram se apresentando.
Primeiro veio o Insano – Incapaz, desprovido de inteligência olhando-me e fitando-me tolamente e convidou a ver-me atuando.
Calei-me.
Pedindo licença veio até mim o Orgulho – Seus olhos brilhavam. Olhava-me por cima dos ombros, olhou em volta, ostentava meio sorriso, diminuindo-me e convidou a ver-me atuando.
Sem pedir licença o Estúpido – Se apresentou empurrando, apontou-me o dedo e confrontou, gritava, senti sua raiva e deu as costas enquanto me via atuando.
O Leviano – Se posicionou a frente, sorrateiramente bateu-me nas costas e me deixou. Sorriu a distância e convidou a todos a ver-me atuando.
Segurando o coração entre os dedos se aproximou o Flagelado – Entulhos pelo corpo. Amargurado, recolhido, fraco, deu as costas enquanto via-me atuando.
Tomando a dianteira o Executor – Encarou-me cruelmente, sua fisionomia
Transfigurada. Sorriu sarcasticamente. Era eu seu algoz.
Despediu-se enquanto via-me atuando.
Criador.
Alimentei-os, ora um ora outro, até mais de um.
O trabalho.
Desmascarar minhas atitudes diante da vida.
Repor os valores vendidos da alma.
Reconciliar pelo amor e a humildade.
Vejo através da janela do pensamento a fresta por onde a luz vasa.
Ainda a tempo de começar.
Estender as mãos e calar.
Mas o pior ainda estava por vir.
A sentença.
Na despedida sepultar cada um no terreno do esquecimento.
Tudo seria uma grande mentira se não guarda-se em meu peito essa cicatriz.


Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Todos os direitos @reservados.
Título/Verdades.
Oriente,Editora ltda.

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