sexta-feira, dezembro 22, 2006


A essas terras, que me acostumaram a pintar meu rosto, meu corpo.
Ao encontro da luz da manhã pelo chão feito caminho que se passa sem perceber.
Na companhia, não sei se é sonho se é visão ou assombração.
O céu engoliu as estrelas, desmanchou as nuvens que brincam de fazer figuras e rostos.
A essas terras, que me ensinaram a andar de olhos fechados. Ilumina luz de fogo ardente lá no céu, engolindo as sombras frágeis quase ilusão.
O verde de todas as plantas transpiram.
Transpiram em mim todos os rios que descem feito corredeira.
Tenho a sensação da embriaguez.
O vento quente abana meu rosto quase em chamas.
A essas terras, que minhas mãos cultivaram o fruto.
No mar verdejante de folhas, surge teus filhos onde trabalham a massa da terra para semear.
Sinto nas veias da pele, sinto no cheiro da terra molhada à morada das minhas saudades.
O gole sedento da água que escapa de um furo de mangueira.
Mata antes minha sede.
Tinge minha cor agora barrenta quase vermelha.
A essas terras, que faz as voltas que o mundo dá.
Se escolhe os filhos sou apenas mais, sem nome.
No retorno, eu sei que é sonho , eu sei que é visão.
Esta lá a estrelas no céu.
Esta lá cada mistério que sabe “Deus” sua razões de querer a noite enfeitar.
Já é noite no meu destino.
O sol apagou a luz e foi-se de mansinho deitar.
A essas terras, que embala, gente que embala até os bichos.
No escuro quase cego traz os grilos pra cantar.
Clareia luz de lamparina, as primeiras casinhas de barro.
Portão escancarado balançado pelo vento.
Cheiro de mato, Cheiro de erva de benze, cheiro de chá que ferve a água até de banhar.
A essas terras, que mais desejaria eu, escolhido na simplicidade dos meus gestos comparado aos teus.
Diz então nos meus sonhos, que és sempre verdade.
Viver da natureza, da roça e de tudo que puder plantar.
Os bichos, plantas e gente.
Sol, terra e luar.
A essas terras, que eu vivo.
Onde a chuva é passageira.
E nos meus sonhos vejo o mar.
Não me mate de saudades.
Sou teu filho órfão.
Deitado em teus braços.
No encontro ao amanhecer.

Reinaldo Nunes Proença
Reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/ Minha Terra.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.

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