
Parti sem destino pelas ruas desertas caminhando descalço contra o vento
Contra as ilusões e os pensamentos.
O tormento avassalador perdura no peito, o olhos cheios de lágrimas e risos
Molham meu rosto agora coberto pelas mãos frias e vazias.
Quem no lamento, no desespero se entrega ao extremo, esquecido, quase mendigo pedinte de amor, compreensão.
Na sombra distorcida meu corpo se arrasta, pedaço de gente
A passar pelas entranhas do esquecimento.
Sou apenas esse perdido, vagabundo caindo e vivendo o drama.
Essa noite em cada pedra desse caminho terei deixado estampado nas linhas do tempo apenas verdades.
E se puder ir mais além, carrego nas costas o peso das minhas vidas desperdiçadas, meus erros, meus enganos, e traições.
Pobre coitado, esquecido, vencido nas lutas inacabadas causador e causa.
Nas batalhas perdidas receber o mais duro golpe o da consciência.
Na calçada, os mais terríveis medos vejo passar, despidos de todas as caras;
Se aglomeram a me ver passar.
Fantasmas, meus amigos fantasmas riem de mim enquanto aplaudem minha passagem.
Encheram-me com as mais vazias promessas e agora zombam de mim.
Sinto que cheguei ao fim.
Não quero piedade, quero apenas a mente vazia, quero poder ver o novo, e se puder trocar o corpo que seja o mesmo assim terei certeza de ser eu mesmo.
Se no caminho perder o destino saberei ir onde o vento me levar e se ir mais além é esquecer os lamentos andarei bem mais.
E quando voltar, caminharei pelas ruas e saberei ver as pedras que em verdades viram-me passar.
Reinaldo Nunes Proença
reinaldo_rnp@hotmail.com
Título/Andarilho.
Todos os direitos@reservados.
Oriente,Editora ltda.

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